A CIDADANIA ROUBADA
Na história
republicana do Brasil, o exercício da cidadania enfrentou muitas limitações e,
em alguns casos, foi completamente eliminado. Nos casos mais importantes, a
cidadania foi limitada pela eliminação do direito de voto ou pela supressão da
conscientização política acerca dos direitos individuais.
O Coronelismo
Durante a República
Velha, o direito de voto deixou de ser censitário e se tornou universal. No
entanto, existiam vários elementos de limitação da cidadania, como a exclusão
das mulheres do processo político, a exigência de alfabetização ao mesmo tempo
em que a Constituição não se propunha a garantir a educação básica como
obrigação do Estado e as práticas coronelísticas. O coronelismo foi uma conduta política que se tornou
comum na vida política brasileira, principalmente após a proclamação da
República. Durante a República Velha (1889-1930), percebemos o coronelismo como
limitador da cidadania, pois o poder de mando do coronel influenciava as
eleições, fazendo surgir o "voto de cabresto" e o "curral eleitoral",
expressões que refletem a postura dócil dos comandados, que votam nos
candidatos indicados pelo coronel em troca de favores ou simplesmente por
imposição, uma vez que este é quem controla, direta ou indiretamente, a vida
das pessoas em sua propriedade ou na região. O coronel é sempre um grande
proprietário rural, que, naturalmente, possui o poder econômico e, na prática,
o poder político local, o poder de polícia e o poder de justiça. Em outras
palavras, prefeitos, delegados e juízes são homens da família do coronel ou
seus "protegidos". Além disso, o coronel conta com uma milícia
particular, formada pelos jagunços. Soma-se
a toda essa estrutura de poder a situação de ignorância à qual está submetida a
grande massa de trabalhadores rurais do país, distante dos centros urbanos, da
escola e dos meios de comunicação, distante dos direitos - assegurados pela
lei, mas negados pelo exercício do poder por parte das elites rurais. (Trecho de A Cidadania Roubada de Claudio
Recco)
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